quinta-feira, 30 de abril de 2009

RODA VIVA

Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda viva

E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante

Roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir

Na volta do barco é que sente

O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva

A mais linda roseira que há

Mas eis que chega a roda viva

E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante

Roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata

Não quer mais rodar não senhor

Não posso fazer serenata

A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa

Viola na rua a cantar

Mas eis que chega a roda viva

E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira Que um dia a fogueira queimou

Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar

Mas eis que chega a roda viva E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração...

Chico Buarque

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ser Prolixo é preciso viver nao é preciso

Nada contra as pessoas. Mas ultimamente tenho preferido livros, papéis, casas, árvores, animais, e principalmente praias (quando se pode). Inclusive acho que me dou melhor com esses objetos. A culpa não é das pessoas, mas de um sentimento de aversão instalado, em especial as multidões. É, às vezes, lembro do filme de Eduardo Coutinho, Edifício máster, quando uma das pessoas entrevistadas fala do sentimento de aversão ao Rio de Janeiro pela quantidade de pessoas ao redor, que não sabe mais se são as ruas que ficaram pequenas, ou se as pessoas que aumentaram, ou se foi as duas coisas. Fobia social no fim das contas.

Pois bem. Interessante é você pensar sobre como o cotidiano acaba por ser sempre o mesmo, tudo está minimamente esperado, inclusive as relações com as pessoas. Contudo, não vejo problema em partilhar meu tempo com uma música, ou com o ócio, em vez de necessariamente estar numa multidão = mais de 5 (cinco) pessoas. O fato é que o mínimo vão te chamar de autista. É, acho que vou comprar um prato daqueles e ficar girando loucamente, talvez seja divertido. Talvez seja mais interessante do que proferir discursos prolixos para fins de obtenção de condutas e regras sociais estabelecidas.

A principal questão é que se tem alguém que tem que começar a andar do meu lado de vez em quando, é a palavra prolixa. Temos antipatia uma pela outra, é bem verdade, e o fator das multidões exacerba essa antipatia, entretanto, ela faz sombra se manifestando demasiadamente, como assim é, em pequenos grupos.

É, enquanto conquisto sua amizade, que para mim é um tanto utilitarista, continuarei tentando não ser prolixa na escrita, já que não é uma vantagem, no mundo dos 500 caracteres. Mesmo assim, ainda prefiro os papéis. Entretanto continuarei na corda bamba de não sintetizar por demais as idéias, por enquanto acho que mais vantagem é comprar um conjunto de loucas, com muitos pratos, quem sabe usando mais de um prato, possa ser uma condição de ser prolixo.

Vai saber!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A idéia

"De onde ela vem?!

De que matéria bruta vem essa luz que sobre as nebulosa scai de incógnitas criptas misteriosas como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenêtica e alta lutado feixe de moléculas nervosas que, em desintegrações maravilhosas,delibera, e depois, quer e executa.

Vem do encéfalo absconso que a constringechega em seguida as cordas da laringe,tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra mas, de repente, e quase morta, esbarra no molambo da língua paralítica!"

Augusto dos Anjos

sábado, 28 de março de 2009


O EQUILÍBRIO DA VIDA
O excesso de luz cega a vista.
O excesso de som ensurdece o ouvido.
Condimentos em demasia estragam o gosto.
O ímpeto das paixoes pertubam o coracao.
A cobica do impossível destrói a ética.
Por isso, o sábio em sua Alma
Determina a medida para cada coisa.
Todas as coisas visíveis lhe sao apenas
Setas que apontam para o Invisível.
Esse é o tal do TAO. :)
(Valeu luquinhas... )

sexta-feira, 27 de março de 2009

ESSA VALE A PENA!

Essa não é uma coluna sobre cultura, é sobre educação. Mas o que tem mais a ver com a cultura do que a educação?
Todo estudante universitário já ouviu falar do Currículo Lattes, todo aspirante a Mestre ou Doutor decerto já fez o seu e àqueles com pretensões acadêmicas é imprescindível atualizar seu Lattes pelo menos duas vezes por ano. O Lattes é critério quase universal para seleções de programas de pós-graduação do Brasil e do exterior, além de ser fundamental nas bancas de contratação de professores universitários em concursos e editais. Mantido pelo CNPq, é uma forma democrática de centralizar as informações acadêmicas de todo país, permitindo aos pesquisadores encontrar colegas de áreas afins e, a quem seleciona, avaliar a produção científica do aspirante à vaga.
Os críticos dizem que o Lattes transforma todo o esforço intelectual dos pesquisadores em quantidade, em números, simplificando e até ridicularizando uma produção eminentemente qualitativa. Ocorre que no final do Lattes há uma tabela informando quantos artigos foram publicados, quantos livros ou capítulos de livros, de quantos congressos o fulano participou. Mas até aí nenhuma novidade, se você começou a ler este texto provavelmente já sabe o que é e como funciona o Currículo Lattes. A novidade é que um bom Lattes tem preço.
Com o crescimento dos cursos de pós-graduação no Brasil e o amadurecimento da Plataforma Lattes, a corrida por "qualificação" tem sido grande, e a lógica quantitativa acaba incentivando a formação de um verdadeiro "mercado acadêmico". Já havia percebido isso ao me inscrever em um congresso, no meu caso o da ABRAPLIP, mas poderia ser de qualquer área e em qualquer lugar. Se você quer que seu trabalho seja apresentado, antes da inscrição deve enviar um resumo e aguardar o aceite. Elaborei o resumo, nas normas que exigiam, e o submeti. Em poucas semanas, um e-mail informa que o trabalho foi aprovado, e o ingênuo aqui fica feliz da vida: vai no site, preenche a ficha de inscrição, imprime o boleto, paga no banco a taxa de cento e poucos reais (há eventos de R$ 300,00, R$ 500,00, e por aí afora, especialmente se você for da área de Medicina ou Direito). No dia da minha apresentação no evento, a surpresa: havia cinco pessoas na sala: um professor e quatro apresentando trabalhos. Público para quê? Discussão para quê?

Afinal, dali sairemos com um certificado (enviado por e-mail), um CD-ROM e um número a mais no Lattes!
Evidentemente, a proporção não é um por um, mas tão evidente quanto é que os congressos hoje estão inchados com dezenas de apresentações de trabalhos, e o aceite desses é uma mera formalidade. Um trabalho medíocre será aprovado se não comprometer o evento e o autor lá estará, enquanto um aluno excelente que faça um artigo excelente mas por algum motivo não possa pagar a inscrição, ah, esse não estará lá. Afinal, sai caro um bom Lattes...
Mas vamos além, afinal de contas, poucos dos que se aventuram em cursos de pós-graduação não teriam dinheiro para a inscrição de um evento desses. E a passagem? E o hotel? E férias, para quem não tem bolsa? Sim, porque se você tiver pretensão de dar aula na USP, na UFRJ ou na UFRGS, é bom sua vida acadêmica não ficar restrita a Cacimbinhas, é bom você ter ido aos eventos nacionais mais importantes da sua área, ter contatos, viajar. E não espere algum desconto especial para viagens acadêmicas por parte das companhias aéreas. Muito menos bolsas oferecidas pelos cursos de pós-graduação, a não ser em raríssimos ― e discutíveis ― casos. Afinal, sai caro um bom Lattes...

Infelizmente, não é só isso. Estávamos tão acostumados a participar de congressos e pagar por isso, estamos tão satisfeitos em aproveitar esses eventos para fazer turismo pelo Brasil (ah, claro, ninguém acha que o controle de presença nesses eventos seja muito rigoroso, né?) que nem percebemos o quão injusta é essa lógica do "pagando bem, que mal tem". Quero ir além. De uns tempos para cá, tem se tornado comum no Brasil pagar pela publicação de artigos! Sim, os artigos científicos, tão puros, tão imparciais, tão citados como referência do conhecimento pela mídia, pelos nossos professores, publicá-los também tem um preço, e bem salgado.
Ainda não havia me acontecido isso, mas uma amiga da área da Enfermagem ousou submeter seu artigo de conclusão de curso para a Revista Gaúcha de Enfermagem e, adivinhem, o artigo foi aceito para a publicação com uma condição: ela e as outras duas autoras do artigo deveriam ser assinantes da revista para essa publicação, e, claro, isso tem um custo: R$ 130,00. Cento e trinta! Fiquei pensando se já aconteceu de alguém enviar artigo e ele não ser aceito, afinal cenzinho é cenzinho...
Pensei em reclamar para a UFRGS que uma revista com seu logotipo fizesse esse tipo de coisa, mas a Universidade está em férias. Entrei em contato, então, com a Ouvidoria do Ministério da Ciência e Tecnologia, a fim de denunciar esse tipo de abuso num país e numa universidade que lutam pela inclusão acadêmica de negros e pobres. A resposta, conclusiva, me fez perceber que o Lattes realmente tem preço:
Prezado Marcelo,A cobrança para publicação de artigos é prática frequente na área internacional, inclusive porque alguns periódicos científicos são bancados pelos próprios autores. A informação, pelos custos que envolve, resulta cara. No Brasil, esta prática ainda não está amplamente disseminada mas já é praticada, principalmente na área médica.No caso específico, segundo sua informação, o pagamento não é propriamente pelo artigo, mas para que ela se torne sócia da revista. Sugerimos que consulte a política editorial do periódico, que deve estar impressa na própria revista ou no seu site. A política editorial informa quais são os critérios utilizados para seleção e publicação de artigos.Nada obstante, caso ela não concorde com o critério, pode submeter seu artigo a outros periódicos que não exijam contrapartida financeira. Seguramente na sua área de especialização existem vários em todo o Brasil.Atenciosamente,Ouvidoria-Geral do MCT
Indignado, entrei em contato com minha orientadora de graduação, uma professora muito amiga, Doutora em Comunicação. E aí a professora me lembrou de que quando terminou seu Doutorado, recebeu pelo menos cinco cartas a parabenizando e a convidando a publicar seu belíssimo trabalho em livro. Mas, é claro, um livro acadêmico é sempre importante e, afinal, sai caro um bom Lattes. Caro quanto? Cinco mil reais.
Não posso concordar com essa lógica, e me surpreende que entidades como a UNE fiquem mais preocupadas com o preço da passagem de ônibus do que com esse tipo de descalabro. Não é novidade alguma que a seleção para os cursos de pós-graduação passam por critérios pessoais, políticos, nada objetivos, e no momento que se cria uma ferramenta para tornar a escolha um pouco mais democrática, admitiremos que essa ferramenta sirva para privilegiar os estudantes com mais poder aquisitivo? Sem demagogia, dessa forma algum pobre que entrou na universidade pelas cotas ou pelo Pró-Uni conseguirá ingressar em Mestrados e Doutorados a partir desse critério mercantilista?
Para mim, o caso é muito grave. São essas pessoas com Lattes recheados que irão lecionar nas universidades federais e particulares (e há aos borbotões), são elas que irão formar os futuros médicos, advogados, jornalistas, professores? E quais os valores que essa geração acadêmica tem a passar? O valor do "quanto mais, melhor", do "quem pode mais, chora menos"? E essa realidade, todos sabem, se reflete desde o Ensino Fundamental, onde as creches e escolas públicas são cada vez mais abandonadas e as particulares proliferam e profissionalizam- se. Mas aí já é assunto para outra crônica...
Para terminar, quero deixar aqui uma conta rápida ilustrando a grosso modo quanto custa rechear seu Lattes. Aqui não estou contando a vida escolar, apenas acadêmica:
Graduação: 48 mensalidades de R$ 1000,00:R$ 48.000,00
Mestrado: 24 mensalidades de R$ 1000,00:R$ 24.000,00
Doutorado: 48 mensalidades de R$ 1000,00:R$ 48.000,00
Participação em 1 evento nacional por ano (10 anos), com inscrição e passagem:R$ 10.000,00
Participação em 4 eventos regionais por ano (10 anos), com inscrição de R$ 50,00:R$ 2.000,00
Pagamento da "assinatura" de 3 revistas científicas da sua área por 10 anos:R$ 4.500,00
Publicação de um livro com sua dissertação de mestrado e outro com a tese de doutorado:R$ 10.000,00
Participação de um congresso no exterior, com possibilidade de ficar um mês na Universidade:R$ 3.000,00
Total, sem levar em conta os juros: R$ 151.000,00
Resumo da ópera: é mais fácil comprar um posto de gasolina do que rechear seu Lattes e dar aula numa boa Universidade Pública. E depois não querem que os professores torçam o nariz para os programas de inclusão... Marcelo SpaldingPorto Alegre, 5/3/2009
in: http://www.digestivocultural. com/colunistas/ coluna.asp? codigo

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os mIcos MaluCos

Nada como um encontro de bons amigos que não se vêem há muito tempo. E nada como comemorar isso em lugares especiais, como no meio da mãe natureza e em grandes picos como a Ponta dos Seixas. É a gente queria ficar o mais perto possível da África. Só que mais do que uma pedra, tinha um mar enorme no meio e não seria aula de natação que resolveria o problema, mas de toda forma devíamos ter chamado o nadador famoso, talvez ele fosse gostar da programação. Potato! Ele gostaria.

Trilhas bonitas, praias do litoral norte ao sul. Não vou dizer se o pior foi alguém viajar de Tocantins até a Paraíba pra me ver com direito a todos os infortúnios do mundo, ou se foi escutar essa ladainha na minha cabeça todos os dias, como um sino de igreja tocando e nem lembro mais o número de quilômetros. Eu não NEGO vai, foi um herói. Mas de qualquer forma, lembro das aulas de matemática da sexta série, quando eu era uma boa aluna, e o sinal de está contido para mim pode ser elevado, nesse caso, a uma potencia de base dez, ao número de viagens que foram possíveis em uma única viagem. E eles estavam presentes em todas elas: Os micos, vulgo sagüins.

Até o momento eu achava esses animais muito simpáticos. Se não fosse a ocasião em que pareciam mais saqueadores. O ser humano se acha mesmo, mas talvez mudasse de idéia se estivesse no meio de uma revolta dos micos assassinos do litoral. E quantos eram! Incontáveis. O ataque começou por terra, um ou dois lentamente, devem ter o olfato bastante aguçado, depois foi aéreo, e essa era a maior especialidade deles, muitas árvores e muito gingado, as minhas percepções já não davam mais conta da sua agilidade. Praticamente um bombardeio. Eram muitos! E as crianças inocentes pagando pra ver, são eles de novo! Até aqui! Talvez eles quisessem só se aproximar, puxar uma banquinho e sentar, mas o sentimento natural dos animais seria fugir, ou reconhecer outra espécie com um sentimento de medo. Não era o caso deles. Além do que era muito surreal aquilo tudo, já imaginou várias cenas repetidas em locações diferentes, mas um pedaço da Mata Atlântica sempre estava lá, vai. Só que ela não saia em comboio atrás das pessoas!

Verdadeira perseguição. Foi difícil sobreviver, se não fossemos tão bem treinados, a correr, lógico, tinham nos deixado de tanga literalmente. E as pessoas ainda não acreditam, acham que é história de pescador, canto da carochinha... Mas hoje penso que isso poderia ser evitado. Só era ter deixado uma coisa pra o santo, ou... Para os micos. Aí tinha ficado tudo em paz. A gente ainda paga mico só para vocês.

domingo, 22 de março de 2009

AS REFORMAS DO CFHC (Hard Core)

Sinistro. É como se pode descrever uma idéia de colocar certo montante de indivíduos juntos num prédio vertical de quatorze andares, onde não se encontra muitos espaços arquiteturais de sociabilidade além de salas de aula e corredores. Desculpem-me. Esqueci dos elevadores. É Importante lembrar-se deles já que seu funcionamento é tão essencial para a vida cotidiana na metrópole. Filas são típicas, esperar o próximo, ou subir as escadas, depende da hora marcada, que por vezes difere da hora chegada. Mas enfim, ele chega. Na hora que todo mundo consegue entrar, sem considerar as vezes em que algumas pessoas tem que esperar o próximo, alguém sempre chega por último e quase perde o braço na porta. O elevador está no térreo. - Tá subindo, vem a pergunta. Como se tratam de pessoas apressadas, acho que decidem responder rapidamente sem pensar, nem titubear: sim. É, mas pelo o que eu saiba apesar do aspecto de reforma que rodeia todo o prédio, isso não significa que está tendo uma expansão, assim como nos shoppings centers, e que se criaram andares de subsolo, mezanino I e II, nem salão de festas. De repente poderia ser um ambiente de sociabilidade. Contudo, não é esse o caso até agora. Se bem que com as parcerias público-privadas, nem me meteria a duvidar dessa possibilidade. A questão é que subir pra cima, e descer pra baixo, é um tanto redundante por assim dizer. Mesmo assim, eu sonhei um sonho. Sonhei que existiam praças, bancos, mesinhas, jardins, pessoas ocupando o chão de forma irregular, conspirações, intervenções e piracões. E que a nuvem de poeira passaria, para dar lugar a idéia de Aristóteles sobre a função das tragédias. De emancipar o ser humano através do equilíbrio dos seus sentimentos bons e ruins. Um refletir sobre si mesmo, a vida como um espelho de si. Além de um distanciar-se para fora de si e olhar melhor para dentro. É, parece uma coisa espírita, não é. De você sair do próprio corpo. Mas é bem por aí mesmo. A catarse. Enquanto, muitos seres, eu entre eles, não consegue a completude do sentimento de catarse, se deve permanecer a assistir a tragédia e buscar seus conhecimentos. Se aprofundar na verdade do mito, do que na ilusao que ele contém.

domingo, 8 de março de 2009

XXI - Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando ser infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro

quarta-feira, 4 de março de 2009

PRENUNCIO AS ESTRELAS

Há muito tinha prometido a algumas pessoas próximas escrever sobre as estrelas. Não as que comumente encontramos num céu límpido. Mas outro tipo de estrelas, as da terra, aquelas que têm milhões de estilhaços ao seu redor gritando euforicamente ou às vezes silenciando como conduta de conformação ao que as reluzentes explicam perfeitamente, imagens criadas de um interior que deveria ser mais crítico. Também não vou entrar em grandes detalhes sobre o silencio, porque acredito que ele também pode funcionar como uma forma de crítica, mas isso é outro assunto. Digressões.

Entretanto tenho que explicar que esse ainda não é o texto prometido sobre as estrelas, que já foi iniciado mais está estancado no momento em razão da vida não se limitar a esse blog, infelizmente, por sinal. Mas o que trago aqui é mais uma experiência, dessa vez com uma estrela de sei lá de que essência, diriam os astrônomos, não gastei o tempo da minha vida nesses assuntos. O grande lance é que a surpresa quase sempre é um dos melhores temperos da vida.

Fui encontrar com uma estrela da política, do tipo em que pensei, não costumo fazer o tipo que faz tietagem, mas para esse cara eu tiro o chapéu. Suas posições políticas são muito boas. O que me fez por um momento esquecer o grandessíssimo fenômeno inter e extra-estelar. Me corrija a nova gramática brasileira.

Para mim, o combinado era conversarmos sobre a minha empreitada, porém o problema em conversar com estrelas é ou de alguém dizer que você é maluco, e joga pedra na lua, ou que comumente as estrelas não têm um dia de 48 horas. Logicamente isso quer dizer que elas não têm tempo. O que para mim seria um espaço de debate de duas horas sobre o assunto, acabou se resumindo a minha procura incessante por um material numa volumosa prateleira com materiais orientados, a fim de buscar uma referencia que sumiu da biblioteca. Mãos sujas como nunca havia visto antes: muita poeira. Outra coisa, não ouse duvidar do que as celebridades dizem, é dissertação e não tese. Da próxima vez não acredite no que a moca simpática da biblioteca diz, quando procura a referencia cadastrada ou pelo menos não afirme com tanta veemência. Tudo pela paz. No War! A não ser que seja o War III o dos aviões, que pra mim é o mais interessante.

A minha lição é que terei que deixar de ser sedentária e fazer algum tipo de atividade física, que ajude o meu corpo e mente a correr e ter a vocação necessária para lidar com estrelas, além do que não posso reclamar da atenção dada, pelo menos no âmbito virtual, que foi de presteza absoluta, coisas que a santa internet proporciona. Terei que marcar um horário na agenda, respeitando os programas de televisão marcados, as palestras, entre outros, já que esse é o caminho do Olimpo, tenho que saber pelo menos as regras do espaço, mesmo que prefira ficar no Osujo se me permitem o trocadilho sem noção, resta-me apenas resignar-me aos ácaros e poeiras dos meus livros, que são de enorme utilidade, mas o ser humano não se dá por satisfeito, fazer o que. Precisa de prismas, de coisas que brilhem talvez comprar uma lâmpada fluorescente resolva o problema, bem que estou precisando de uma para a mesa. Desculpem a falta de acentuação, mas o meu teclado continua desconfigurado, ainda não consegui identificar todos os acentos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


“São oito milhões de habitantes
De todo canto e nação que se agridem cortezmente
correndo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Craseados a prestação
Porém com todo defeito te carrego no meu peito...
São, são paulo, quanta dor...
São, são paulo, meu amor... (Tom Zé)

Que horas... 10 conto na 25!!
De início a primeira reação é intimidação.

Apesar das receitas e teorias, o senso comum fala mais forte, e não há como fugir de milhões de palavras que foram pronunciadas pelo aparelho medonho todos os dias. Seja simplesmente para dar o tempo, para passar alguma tragédia, ou o cotidiano de uma cidade como representante do Brasil.
Mesmo assim pensei que fosse mais emocionante. Me desculpem, mas talvez eu estivesse esperando uma montanha russa com direito a frio na barriga. Só que a fila tava tão grande, que eu desisti de andar. Esse é o problema de ser uma eterna criança, procurar sempre emoção em tudo.
Posso dizer que esperava mais. Sim.
Talvez seja um mal da humanidade esperar mais, ou mesmo, eu esteja culpando a humanidade por um mal meu. É, isso mesmo. Não estou poupando minha dose de autoflagelação diária. É só para que não digam que estou sendo arrogante, tudo bem? Até porque não vai dar pra explicar todos os fatores que me levam a crer que essa cidade como expõe Tom Zé, é um grande fruto de contradições.
Me chamem de provinciana, ou dos sinônimos que possam existir, mas como passar 2 horas e meia dentro de um ônibus abafado com um sol escaldante que vem seguido de uma chuva torrencial que inunda a rua que você pretendia descer e voltar pra casa? Como se passa 3 horas num trânsito para ir a uma praia, em que eu vou a 20 minutos numa muito mais bonita na minha terra? Difícil de acostumar, não?


- Show de Luiz Melodia, o fim de semana inteiro no sesc Vila Mariana!
- Que ótimo. Vou ligar para comprar os ingressos. (Quarta-feira pela manhã)
- Queria comprar ingressos pra o show de Luiz...
- Os ingressos estão esgotados!

Que instingante. Realmente, aprendi uma coisa lá. O meu trauma de me achar sistemática e a tentativa de fugir disso, é mesmo real pra essa ocasião. Não sou tão sistemática assim! Precisaria me programar com um mês de antecedência no mínimo. Uma coisa tirei de bom: Um relógio Swatch a 10 conto na 25 de março!! Paraíso dos pobres!! Fiz a festa na galeria Pajé!! E haja japonês, coreano, e derivados. Talvez possa me organizar melhor de relógio, quem sabe. Ou então depois do vidro que caiu e colei, a próxima parte a não funcionar seja o contador. Daí, vou perceber que ou eu parei no tempo, ou a intimidação não passava um canto ilusório da sereia, de uma estrutura imponente que ao mesmo tempo te aprisiona, te fazendo refém de uma cidade que estrangula a liberdade.

Assim, por hora, prefiro não usar relógio e continuar acordando e decidindo ao longo do dia qual a programação que farei sem precisar enfrentar filas quilométricas, talvez uma sistematização a cada acordar. Quem sabe aprendo a me basear pelo relógio do sol também... Já que tem sol todos os dias, sombra, água de coco (fresca) a 50 centavos na praia, e o melhor de tudo: VENTO, BRISA, e seus sobrinhos e primos.

Bárbara


sábado, 24 de janeiro de 2009

EXTRASERESTIAL

sê veja bem
tem que se ver.
ver em si algo daqui ou dalí

ser o que és
sem ao menos saber o que é.

tem que ser ser.
pra refletir e conseguir entender.
fazer idéia do que isso seja a ser.

______________
__________________________________________________

sê veja bem
tem que se ver.
ver em si algo daqui ou dalí

ser o que és
sem ao menos saber o que é.

tem que ser ser.
pra refletir e conseguir entender.
fazer idéia do que isso seja a ser.

sábado, 10 de janeiro de 2009

>>>>>>>>raiz nordestina<<<<<<<<

..horizonte NACIONAL..

Qual será o horizonte que nosso Brasil tanto tanto almeja?
Melhor ainda... Qual é o horizonte dele? Que progresso ele conseguiu desde que estamparam aquela frase ridícula em sua bandeira?
E então...? Creio que ele não estava mirando pelo horizonte correto, ou pelo menos as pessoas que lhe geriam e gerem desde que ele virou BRASIL.
Um de meus maiores medos é a possível inexistência de um gestor nacional que enxergue o País pelos -HORIZONTES NATURAIS- e não apenas os horizontes numerais e verbais pelos quais nossos políticos tanto estão acostumados a olhar.
Um país como o nosso, repleto de horizontes tão próximos e mágicos capazes de renovar a alma de qualquer pessoa, planta ou bicho do planeta.
Litorais de horizonte sublime.
Serras de horizontes mil.
Caules verticalizados formando horizontes opostos maior e mais belo que qualquer torre, gêmea ou órfã.
Horizontes identificados facilmente em qualquer espécie de nosso ecossistema (atlântico ou tropical).
Horizontes louváveis de inúmeros heróis que fizeram valer sua história em nosso território. Cabras bons, que por nós tanto lutaram, seja uma MARGARIDA, um ROSA ou até mesmo um LAMPIÃO. Acho que nossos políticos estão precisando mesmo é de um lampião pra clarearem suas ideias, e tomara que um dia eles o ponham na mão e observem quão bom e majestoso é nosso Brasil. Até mesmo o horizonte de uma cama de bordel está mais limpo e arrumado que nosso País.
PARE!
OLHE!
ESCUTE!
Nosso horizonte GRITA por socorro, ainda temos tempo pra confeccionar um horizonte limpo e palpável.
FAÇA ARTE, FAÇA AMOR... E nunca procure fazer guerra, se for fazê-la que seja IDEOLÓGICA, pois essa merece ser encampada diariamente por todo cidadão.
Que o AMARELO não seja do ouro e sim do raio de sol que corta nosso céu. Que o VERDE seja preservado se não em breve não o veremos mais em nosso espaço. Que o AZUL tenha menos fumaças podres expelidas por máquinas sedentas em dinheiro.
Criemos cores novas pra estampar na bandeira de nossa vida, a qual carregaremos até o fim em nosso corpo e mente. Que nela não contenha apenas as frases -ORDEM E PROGRESSO-. E sim, espaço suficiente para caber qualquer poesia que lhe faça bem, não só uma, mas quantas você julgar necessário.
Acrescente uma letra por dia e uma pincelada por noite que te garanto:
-VAI SER A BANDEIRA MAIS LINDA QUE TIVESTE EM VIDA!
(seja ela severina ou aparecida)
(dinho)
.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

NATIVIDADE

Ativa idade esta que tenho.
Como dizer...: Tranquila idade!
Dificilmente saberia qual é se fossemos interrogar por um lado inverso.
Inversão do que se costuma identificar, enxergar, perceber...
CAPTURAR
Uma atividade constante.
UM SER NATIVO,
nativo em terra que não é minha...
terra que ponho
na mão, fecho e jogo no chão.

Terra que germina
que cativa.

Terra preta e vermelha que nego sem intenção.

Da vista panorâmica de meu porão ela é de todas as cores. Cores sem definição
cor da terra, saturno e plutão.
Grão de árco-íris e grão furta-cor. Grão que te ajuda a me compor.
Todos eles formam um imagem por linhas, criando simbolos a interpretar
se NEGO ou se AFIRMO
AQUI É MEU LUGAR.

helder

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As cores...

Já não as identifico mais

Hoje só enxergo os tons de cinza que cada vez mais,

me lembram as cinzas que restaram dos meus coloridos carnavais.

Bárbara

domingo, 7 de dezembro de 2008

A PELEJA DE DONA JOSEFA


Nunca senti tanta saudade da minha cama quentinha. Amanhecer o dia no cais de Santa Rita em plena chuva, depois de passar a madrugada acesa, num coco em Olinda, e ainda passar direto da parada e ir parar na integração de Paulista para voltar ao “marco zero” da minha parada de ônibus não é muito agradável. No entanto, se aprende muito dessas experiências cotidianas e personagens que subitamente como uma flecha aparecem em nossa frente. Para ser mais exata até achei pertinente à crítica que a Dona Josefa fez sobre a parada de ônibus não servir para abrigar as pessoas da chuva. Cheguei até a interagir concordando com o seu posicionamento, afinal estava tremendo o queixo de frio. Mas se toda a espera pelo o ônibus tivesse se resumido a isso, com certeza teria saído com outra visão da senhorinha.

A chuva em Recife ultimamente é um fenômeno raro. Mas realmente tinha que chover logo quando Dona Josefa resolveu lavar dois varais de roupa, e pior ainda, depois dela sair de casa, o que a fez depender das crianças para apanhar as roupas do varal. E como todos devem saber as crianças de hoje, nem sempre estão dispostas a levantar da cama numa chuvinha fria para apanhar roupas na chuva, foi por isso que ela salientou: - Apanhe as suas e as minhas também! Por via das dúvidas é melhor não arriscar.

Mas tudo seria mais tranqüilo para o seu dia se não fosse dois fenômenos: Ser o seu primeiro dia no trabalho e estar atrasada, e o segundo, a festa do morro que arrastou 50 ônibus um atrás do outro, diminuindo a frota já escassa do CDU-VÁRZEA. Ônibus que ela jurava que ia pegar. Ainda por cima passam várias pessoas perguntando onde é a parada para o ônibus da festa, Dona Josefa não exita em responder: - É a próxima parada, não se preocupe que passa ônibus de instante em instante, só não passa essa desgraça que eu estou esperando. Completando que quando ela era católica não tinha tantos ônibus assim, mas quando decidiu ser evangélica as coisas mudam. Realmente. Parece existir um complor interplanetário contra ela. Que por sinal, não acaba aí. Como senão bastasse reclamar cerca de uma hora sobre não ter feito outro percurso que talvez a fizesse conseguir chegar no horário certo ao trabalho, a cada dez segundos comenta sobre que o próximo ônibus tem que ser o dela, consequentemente o meu. O que aumenta a minha ansiedade, mas fazer o que ela apenas é uma pessoa que honra seus compromissos. Todavia, acerta em cheio quando resmunga que o que mais a deixa chateada é chegar atrasada no primeiro dia de trabalho.
Para completar o seu desespero, a chefa que disse que não queria que ela chegasse às sete horas, mas as sete e meia, resolve ligar as sete e vinte e sete. Dona Josefa tenta se explicar, mas quando desliga o telefone chama mais palavrões que uma igreja inteira com o espírito santo. Admitindo que o fato de não conseguir passar muito tempo em um único trabalho se resume as atitudes de comando das suas patroas, que deixa ela se sentindo inferior.

Bem, parece que finalmente existe uma chance de um ônibus que pára passar perto de onde ela quer, mas quando ela menos esperava ao mesmo tempo chegou o cdu-várzea. Até fiquei mais aliviada porque enfim pararia de escutar tantas reclamações no início da manhã, e porque o seu dia talvez fosse mais feliz graças à chegada do ônibus. Se não fosse é lógico, a resposta do motorista: - Não esse ônibus não passa lá, o San Martin é que passa. (ônibus que ela ficara em dúvida se passara ou não no trampo, e acabava de perder). Bem, nem consegui olhar para a cara de desespero dela, porque na verdade, eu estava mesmo era morrendo de vontade de rir. Porque a pessoa fala tantas coisas negativas, que é quase impossível existir uma energia revertida para que as coisas dêem certo. Ela desceu do ônibus com uma cara que era um misto de raiva e tristeza.Durante o percurso do ônibus, o motorista comenta com a cobradora: - O San Martin passa mesmo lá? Tô achando que não. A cobradora responde: - Acho que passa, mas não tenho certeza, ela deve se informar pra saber.

Bárbara

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SERES OU NÃO...? SER!?

A ANDROGINIA INTERNA DOS SERES ME FASCINA. INCÓGNITAS EXPOSTAS SEM RECEIOS, EXPRESSÃO LIVRE DOS FATOS ANEXADA A GESTOS E TEXTOS CORPORAIS. LATENTES POR EXPANSÃO, QUASE EXTINTOS NA SOCIEDADE EM EXTINÇÃO.

RESSUSCITEMOS OS SENTIMENTOS!

AQUELES APAGADOS... PELAS CRIATURAS DE CARÁTER VIL.

aos que insistem em jogar terra em nossos sentimentos..

precisas de afirmações?

lançote-as:

O CÉU É AZUL!
A TERRA É REDONDA!
DOIS E DOIS SÃO QUATRO!
O HOMEM VEIO DO MACACO!

O LEÃO É O REI!

VOCÊ É PRA NASCER, CRESCER, SE REPRODUZIR E MORRER!
GISELE É BONITA!
HEBE É FEIA!
ELA É MULHER!
ELE É HOMEM!

quem te garante?

deixo minhas felicitações e indignações para quem quer que caiba, ponto final


por dinho
foto: helder oliveira

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

RÉ. TRATO do ATO RETRATO







___________vereda interior_____

Será que somos de fato aquilo que nossos amigos acham que somos?
Será que somos o que nossa familia pensa ou deseja que somos?
Será que possuimos a imagem que sub-projetam de nós?


Bem, de uma coisa tenho certeza:
Somos o que cada uma dessas pessoas acha.
SOMOS O QUE SOMOS!
Somos coisas que nem sabemos que somos ainda. Temos características que só serão descobertas no aprendizado e na empiria cotidiana de nossas vidas.
Nosso grande amigo e companheiro de farras, Raulzinho, tinha razão ao sair gritando por mundão a fora que preferia ser essa metamorfose ambulante.

E não perdendo tempo engrossemos logo o caldo, viremos também metarmofose ambulantes.
Somos hoje com um o que seremos amanhã com outro.
Essa mudança constante de representação é altamente louvável.
Ela é uma das culpadas pelos bons momentos de muitas pessoas...
Inclusive dos nossos.


dinho,
em 30.09.08
fotografia: Helder Oliveira (série auto-retrátil)

domingo, 30 de novembro de 2008

Sensações Jornantropológicas

Domingo, dia de feira, final da manhã. Saí para comprar umas coisas. Bem em frente a minha casa, um casal passava conversando e pude ouvir umas palavras soltas... "mulher... tiros". Não dei muita atenção, segui. Pouco a frente, dois amigos: - É, mataram... – Carai...
Próximo ao final da minha rua, uns três grupos de pessoas também conversavam, expressão de coisa não cotidiana aconteceu. Pus os ouvidos atentos a mais ou menos todos, a voz de uma senhora se sobressaiu: - É, eu fui olhar, ainda tava agonizando, chamaram o Samu, mas quando chegou ela já tava morta. Um rapaz escutou um tiro. Outro comentou que "tinha tiro na cabeça, em todo canto".

De longe posso ver o final da rua perpendicular a minha: lá tinha muita gente e muita coisa acumulada: crianças, sacolas de feira, mães, idosos, carros, bicicletas. Tudo muito colorido, agitado e envolto em ondas de calor. Sempre me impressiona como as pessoas adoram ver defunto. Eu não gosto. E, mesmo curiosa, não precisaria chegar perto, pois já sabia mesmo o que tinha acontecido.

Mas fiquei pensando na tal mulher. Ela tinha filhos? Alguém ia chorar por ela? Ela sabia nadar? Andar de bicicleta? A quem amou? Quem a amou? O que ela gostava de comer, de beber? Tinha muitos amigos? Quantos namorados ela teve? E quantos deles vão se abalar quando souberem o que aconteceu? Pra onde ela vai agora?

Minha cabeça depois se perdeu pensando em outras coisas, na balbúrdia colorida, quente, barulhenta e de cheiros fortes da feira. Ao voltar, um carro de reportagem passou por mim e eu lembrei de novo da mulher. Pensei que depois poderia entrar no portal de notícias pra saber mais sobre. Mas desisti logo. Lá com certeza não haveria muito mais do que eu soube entre minha casa e o final da rua. E o que eu queria mesmo saber, talvez nem a "mulher morta a tiros hoje no Funcionários I" soubesse.
Por Caroliane Anjos

sábado, 29 de novembro de 2008

A POEIRA NÃO TEM EIRA NEM BEIRA

Debaixo dos utensílios mais comuns que são usados todos os dias, encontramos vestígios de poeiras. Não sujeiras comuns, afinal, se os utilizamos todos os dias, pressupõe-se que deve existir uma “certa” higiene, no mínimo. Talvez a política “higienista” tenha contribuído para isso: Não sei. O fato é que apesar de cotidianamente utilizarmos diversos itens corriqueiros, não percebemos que sempre existe algo por trás das coisas, mesmo elas sendo consideradas ‘as mais simples possíveis’.

Um amigo meu um dia me questionou soube a validade da vida, diante de uma ditado inglês que se refere à situação de um “sanduíche de merda, que tem mais merda do que pão”. De fato, acredito que sanduíches não são das melhores alimentações, e nesse caso especifico, prefiro confiar que, apesar do discurso religioso dizer que “nem só de pão vive o homem”, é melhor pedir um sanduíche de pão sem recheio, afinal, apesar das minhas inúmeras tentativas, tenho que admitir que é bem difícil viver só de luz (Esse tema é corriqueiro, porque é difícil se alimentar quando se mora só). Ou pelo menos o meu corpo dá sinais de que definitivamente não é uma planta que pratica fotossíntese.

Mas voltando ao assunto principal do texto, se é que existe algum, estou me referindo a como é difícil percebemos as ‘poeiras’ cotidianas nos elementos mais comuns e mais próximos de nós. Leia-se poeira no sentido denotativo, mas também no conotativo. As coisas podem ir e vir terem um tempo durável, mas se têm alguma coisa que temos que conviver a vida inteira é com a poeira. Ela também vai e volta, dependendo da política de cada um para sua aniquilação momentânea, contudo, sempre nos acompanha.

Não só os objetos guardam esse símbolo da estagnação, mas os seres humanos são os que têm uma grande facilidade para se tornarem seres empoeirados. Ou mesmo, deixar com que a poeira permaneça na sua vida. Não acredito numa vida desempoeirada para falar a verdade, talvez fosse até muito mais chata do que esta. Hoje acordei com o nariz um pouco entupido, um misto de um circulador de ar que resolveu redundantemente, ‘circular’ a poeira, e de alergia ao ventilador. Entretanto, acho que nossos narizes deveriam ser cada vez mais capazes de identificar esse elemento que acaba por muitas vezes estagnar a vida dos seres humanos, quando existe em demasia.

Será que apenas uma boa faxina externa e interna resolveria o problema? E ao mesmo tempo, vejo como importante uma dose de poeira, já que ela representa certa identidade, afinal se já esta lá há muito tempo, isso deve ter algum significado.
A questão que se coloca é que, não devemos respeito aos mais velhos, apenas porque são mais velhos. (Que algum grupo da terceira idade entenda que não é pretensão minha lhes faltar com desrespeito, pelo contrário). Afinal os mais idosos nos mostram como é possível conviver com a poeira por mais tempo. Pra ser mais objetiva, acredito que apesar da vida ser cheia de traças, bichinhos, e outras coisas que a poeira e sujeira constantemente permitem juntar, há que se entender que desde crianças criamos anticorpos para todas as possíveis doenças que possam advir da imundície a qual temos que sobreviver.

Nesse sentido, é que, se pode pensar em como se pode tirar algo de útil das poeirentas: posições, relações, interpretações, tentativas de cristalizar fenômenos que podem ser entendidos de forma mais ‘clean’, ou mesmo, considerar que a sagacidade é uma virtude essencial para combater determinadas poeiras que insistem em se localizar nos cantinhos mais difíceis de serem tirados os quais, muitas vezes, apesar de tentarmos não conseguimos retirar.

Diante disso, resta talvez comprar vários espanadores e desinfetantes, a fim de saber o momento em que devemos limpar certas porcarias, e manter algumas, de forma a lidar com o universo poluído em que estamos inseridos. É por isso, que para cima de ‘mala’, só poeira!
Bárbara

▄▄ cíclico mundo ▄▄

GIR▲.

GIR▲.. GIR▲..

GIR▲...
GIR▲....
GIR▲....

GIR▲....



o mundo gira
e vai girando
desde que MUNDO É MUNDO


- E o que ERA O MUNDO antes de ser MUNDO?
como será que ele era em sua encarnação pretérita?

-não tenho condição alguma de responder suas perguntas amigo (responde a probre jornalista).

... Divagando a respeito do mundo é que nos vem as melhores respostas sobre os que nele habitam.

São essas respostas que nos preenchem o espaço das relações... Espaço que vira e mexe está como um copo: meio cheio ou meio vazio.

E vale salientar que este copo é de uma importância inestimável pra nossos sentimentos, sensações e prazeres. Ele pode nos trazer o sorriso na face pela simples felicidade de tê-lo em nossa frente e saber que a qualquer momento podemos ir até ele e saciar nossa sede.

Pode trazer a felicidade exacerbada pelo consumo da substância nele existente, onde, corpo e mente do indivíduo se encontram em total carência.. Como pode trazer o brilho nos olhos pela esperança em preencher a metade vazia com algum elemento combinativo e como uma espécie de alquima transformar "isto" em "aquilo".




Pois é...

Relações!



Como está seu copo?
Suas relações?
pare!



PENSE!
PENSEpare
parEpenSEPARE
PENseparePENSE

Que seu pensar não seja penso
E se for...
transforme-o em escultura!






por dinho












terça-feira, 18 de novembro de 2008

...................DIALÉTICA COM O BRANCO


como ser tão egoísta
na vontade de visar-las?
Não me esquecerei dela até a eternidade

JUSTO ELA

Que me tirou dos seios escuros
que usei de apartamento
por mais de sete meses

Foi você que atingiu meus olhos!
Até então de características frágil e lacônica
Sou-lhe grato por me permitir sentir
a sutileza da chuva por meio das retinas

Que nossa relação seja eterna enquanto dure...
Mas se em algum dia eu te perder
e por conseguinte, cego ficar
NÃO SE PREOCUPE BRANCO:
até o fim
VAMOS SONHAR!
por dinho
fotografia: helder oliveira


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

BOM mac DIA lanche feliz pra vc


Durante muito tempo acreditei no poder das palavras. Principalmente naquelas que além de cumprimentos cotidianos, tem algum significado. Um bom dia, oi, ou um oi, tudo bem? por exemplo, não deveria servir apenas como um teste de canal de comunicação, mas como uma pergunta que pressupõe respostas, logicamente. Pensar-se-ia. Contudo, a velocidade das relações, as ocupações e o ritmo frenético da vida não dão espaço para que: primeiro, as pessoas parem para escutar as outras sobre suas respostas, e segundo que as pessoas tenham tempo para parar e contar suas lamúrias e lamentações, glórias e explosões de felicidade.
Isso sem falar que ponhamos então uma semente de dúvida em se há mesmo intenção nas pessoas de ter essa pergunta respondida. Isso, não é uma tentativa de dizer que o “homem bom” se tornou mal, mas apenas de levar em conta que houve uma banalização do sentido real das palavras, o que por sua vez gerou um reflexo sobre se é importante mesmo se importar com o outro. É pra ser redundante mesmo!
Importam-se cumprimentos, e troca-se por cabeças de lagartixas!
É uma mera repetição dos usos e abusos das expressões cotidianas: oi, tudo bem? Tudo bom? E aí, como é que tá? Tudo bem? Tudo bom? É uma incrível sátira de um ambiente familiar, que é totalmente impessoal.

É claro que não podemos esquecer que uma vez ou outra, encontra-se um espaço onde se pode responder, ocasionalmente, sobre o seu verdadeiro estado de espírito.

É quase um sentimento de se vencer uma copa do mundo no Brasil, e olhe que do jeito que a seleção anda ruim das pernas, essa esperança é quase tão similar quanto. Não estou esperando também, encontrar uma sessão terapêutica em cada pessoa que se encontra no caminho. Já pensou! Caso isso acontecesse, ninguém chegaria ao trabalho no horário certo, os engarrafamentos virariam encontros cotidianos de pessoas que se encontram no mesmo horário e compartilham as suas vidas, riem e choram.
Talvez isso fosse, o famigerado caos? E não o que vivemos hoje? Dependendo do olho de quem vê, ‘o copo pode estar meio cheio ou meio vazio’.
O fato é que, em virtude das normas sociais e de conduta com os outros que estão ligadas a uma ética geral, que determina como deve ser o seu comportamento “normal” diante das pessoas, é quase impossível dizer que você saiu de casa para o trabalho e o carro quebrou, tinha que deixar duas crianças na escola e elas chegaram hiper atrasadas pela terceira vez na semana, e a orientadora escolar chamou sua atenção, e que quando você caminha saindo de lá para pegar um ônibus, começa a chover repentinamente, é claro que você não tem sombrinha e ainda por cima leva aquele banho de lama de um caminhão feroz que ia passando, mas quando você chega ao trabalho só a famosa “bandeira do pirata” e te perguntam, oi, tudo bem?

Claro que ninguém imagina o dia que você teve, e daí você responde calmamente, depois de inflar o peito, e respirar lentamente: - Tudo bem. Tudo tranqüilo. Contudo é preciso insistir que nem sempre dá pra não se fazer jus ao instinto, ou mesmo a um desejo ou impulso interior maior: de ser amoral, ou imoral, como preferirem, se assim se pode chamar.
Afinal, quem está sendo imoral a sociedade ou o indivíduo?
Concordando com Foucault que ‘todo desejo tem sua própria ética’, isso me permite dizer:
Foda-se os bons costumes! O meu dia foi caótico. Essa é a verdade.
Mas se preferirem continuar escutando os ecos das suas perguntas nas minhas respostas, continuarei apenas balançando a cabeça como uma lagartixa e sendo obediente a moralidade. Até que o “tudo bem” deixe de ser uma saudação, e volte a ser, se um dia assim o foi, uma expressão que implica uma resposta real, ou então brindemos a sociedade das lagartixas.
Eu nunca tive medo de lagartixas mesmo.

Bárbara Duarte, e o dia finda!


Foto: Helder Oliveira
Título: Antônio Fabrício

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

|__ARES E MARES DA CIÊNCIA ESTACIONADA__|


Ares e mares...

Em que terra andais?
Que caminho alçais?

Universos circulares, cíclicos e elementares
Lugar... Lugares...
Cidade... Cidades...

Em qual estais?
Onde se encontras?
Pra onde vais?

Linhas formadas pelo tempo
Homem, espaço e vento
Tento, sento, invento

O velho se faz novo
Na novidade do momento

Linhas centenárias concretas
Curvas e retas
Obliquas ou não

Pés nos chão
Pensamento e imaginação
Vislumbre, capricho... O bicho

Elevação natural
Que instiga o surreal
Sem dúvidas, maestria colossal
por dinho
foto: helder oliveira