terça-feira, 18 de novembro de 2008

...................DIALÉTICA COM O BRANCO


como ser tão egoísta
na vontade de visar-las?
Não me esquecerei dela até a eternidade

JUSTO ELA

Que me tirou dos seios escuros
que usei de apartamento
por mais de sete meses

Foi você que atingiu meus olhos!
Até então de características frágil e lacônica
Sou-lhe grato por me permitir sentir
a sutileza da chuva por meio das retinas

Que nossa relação seja eterna enquanto dure...
Mas se em algum dia eu te perder
e por conseguinte, cego ficar
NÃO SE PREOCUPE BRANCO:
até o fim
VAMOS SONHAR!
por dinho
fotografia: helder oliveira


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

BOM mac DIA lanche feliz pra vc


Durante muito tempo acreditei no poder das palavras. Principalmente naquelas que além de cumprimentos cotidianos, tem algum significado. Um bom dia, oi, ou um oi, tudo bem? por exemplo, não deveria servir apenas como um teste de canal de comunicação, mas como uma pergunta que pressupõe respostas, logicamente. Pensar-se-ia. Contudo, a velocidade das relações, as ocupações e o ritmo frenético da vida não dão espaço para que: primeiro, as pessoas parem para escutar as outras sobre suas respostas, e segundo que as pessoas tenham tempo para parar e contar suas lamúrias e lamentações, glórias e explosões de felicidade.
Isso sem falar que ponhamos então uma semente de dúvida em se há mesmo intenção nas pessoas de ter essa pergunta respondida. Isso, não é uma tentativa de dizer que o “homem bom” se tornou mal, mas apenas de levar em conta que houve uma banalização do sentido real das palavras, o que por sua vez gerou um reflexo sobre se é importante mesmo se importar com o outro. É pra ser redundante mesmo!
Importam-se cumprimentos, e troca-se por cabeças de lagartixas!
É uma mera repetição dos usos e abusos das expressões cotidianas: oi, tudo bem? Tudo bom? E aí, como é que tá? Tudo bem? Tudo bom? É uma incrível sátira de um ambiente familiar, que é totalmente impessoal.

É claro que não podemos esquecer que uma vez ou outra, encontra-se um espaço onde se pode responder, ocasionalmente, sobre o seu verdadeiro estado de espírito.

É quase um sentimento de se vencer uma copa do mundo no Brasil, e olhe que do jeito que a seleção anda ruim das pernas, essa esperança é quase tão similar quanto. Não estou esperando também, encontrar uma sessão terapêutica em cada pessoa que se encontra no caminho. Já pensou! Caso isso acontecesse, ninguém chegaria ao trabalho no horário certo, os engarrafamentos virariam encontros cotidianos de pessoas que se encontram no mesmo horário e compartilham as suas vidas, riem e choram.
Talvez isso fosse, o famigerado caos? E não o que vivemos hoje? Dependendo do olho de quem vê, ‘o copo pode estar meio cheio ou meio vazio’.
O fato é que, em virtude das normas sociais e de conduta com os outros que estão ligadas a uma ética geral, que determina como deve ser o seu comportamento “normal” diante das pessoas, é quase impossível dizer que você saiu de casa para o trabalho e o carro quebrou, tinha que deixar duas crianças na escola e elas chegaram hiper atrasadas pela terceira vez na semana, e a orientadora escolar chamou sua atenção, e que quando você caminha saindo de lá para pegar um ônibus, começa a chover repentinamente, é claro que você não tem sombrinha e ainda por cima leva aquele banho de lama de um caminhão feroz que ia passando, mas quando você chega ao trabalho só a famosa “bandeira do pirata” e te perguntam, oi, tudo bem?

Claro que ninguém imagina o dia que você teve, e daí você responde calmamente, depois de inflar o peito, e respirar lentamente: - Tudo bem. Tudo tranqüilo. Contudo é preciso insistir que nem sempre dá pra não se fazer jus ao instinto, ou mesmo a um desejo ou impulso interior maior: de ser amoral, ou imoral, como preferirem, se assim se pode chamar.
Afinal, quem está sendo imoral a sociedade ou o indivíduo?
Concordando com Foucault que ‘todo desejo tem sua própria ética’, isso me permite dizer:
Foda-se os bons costumes! O meu dia foi caótico. Essa é a verdade.
Mas se preferirem continuar escutando os ecos das suas perguntas nas minhas respostas, continuarei apenas balançando a cabeça como uma lagartixa e sendo obediente a moralidade. Até que o “tudo bem” deixe de ser uma saudação, e volte a ser, se um dia assim o foi, uma expressão que implica uma resposta real, ou então brindemos a sociedade das lagartixas.
Eu nunca tive medo de lagartixas mesmo.

Bárbara Duarte, e o dia finda!


Foto: Helder Oliveira
Título: Antônio Fabrício

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

|__ARES E MARES DA CIÊNCIA ESTACIONADA__|


Ares e mares...

Em que terra andais?
Que caminho alçais?

Universos circulares, cíclicos e elementares
Lugar... Lugares...
Cidade... Cidades...

Em qual estais?
Onde se encontras?
Pra onde vais?

Linhas formadas pelo tempo
Homem, espaço e vento
Tento, sento, invento

O velho se faz novo
Na novidade do momento

Linhas centenárias concretas
Curvas e retas
Obliquas ou não

Pés nos chão
Pensamento e imaginação
Vislumbre, capricho... O bicho

Elevação natural
Que instiga o surreal
Sem dúvidas, maestria colossal
por dinho
foto: helder oliveira
Ñ PRE_CISO
⌂...............⌂
SER_ _COM

ANNELLUS (2005)

foto: helder oliveira (série annellus)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O SONHO NA MORADA

Manhã logo cedo, já são quinze pras quatro de um dia qualquer
dia que é noite, dia que não é
vim daquele lugar, ou de lugar algum
o lugar donde venho é lugar de qualquer um
venho, do caminho que eu sigo a andar
caminho desde cedo pra chegar a algum lugar
meu caminho não é torto, muito menos de papel
nunca vi outro caminho
em que cansado eu sempre ande com um sorriso de fininho

E sorrindo vou seguindo a vereda interior
calmo, manso e quieto esperando por meu teto
o meu teto é qualquer um
é um abrigo no improviso

Me acomodo levemente bem sereno e sorridente

Fecho os olhos sedentos por descanso...
paulatinamente a cortina aberta é
vejo o mundo dos meus sonhos que outrora eu deixei
no meu quarto às onze e meia bem na hora que acordei
cumprimento-os novamente
os chamando pra sentar
e acenam pro meu lado me mandando levantar
acordo em prontidão
vôo em sua direção
me abraça e me beija e me chama de patrão
sou apenas operário dessa história em construção

-Vem!
bota cimento
me da cá a sua mão
a massa nós dois faz
um botando água
outro o cimento a botar
a brita e a areia ainda está por chegar

Chega outro companheiro vai jogando uma pá
uma leve, uma cheia que é pra eu não me cansar
com a brita e a areia no cimento a inundar
ele vai tomando forma
e informa ao sonhar:

O operário entra em cena pra essa forma informar
que ele vai mudar de forma
essa forma de sonhar

-Vai pegando com a testa o cimento devagar
bota logo aí na mesa que eu quero começar
pouco a pouco vai crescendo essa massa de jantar
quando está tudo na mesa é a hora de abraçar
é a hora que eu faço uma estátua me rodar...

por dinho

foto: helder oliveira




terça-feira, 28 de outubro de 2008




Tomates de sangue

Não. Esse não é mais um título de filmes de Hollywood que pretendem causar um impacto, na procura de algum tesouro perdido. Nem muito menos diz respeito aquela piada sobre os tomates que atravessaram a rua, que até eu que não sei contar piadas posso me lembrar como ela termina. Splash!
Na verdade é sobre outro assunto. O dia não havia começado nada bem, afinal dores intermináveis em cada veia e artéria das pernas, e cólicas menstruais que te deixam se contorcendo procurando enlouquecidamente uma posição em que possa APENAS não sentir dor, não é uma das melhores maneiras para se começar o dia. E sem contar que não sei o que continuo procurando, porque pela minha experiência prática essa posição não existe, ou não existiu até hoje. E olhe que eu não estou exercitando minha veia hiperbólica ainda. Pois bem, mas o fato é que enquanto espero incansavelmente que o entregador da farmácia chegue com o remédio que já pedi há uma hora atrás, surge uma pergunta brilhante de um amigo que divido apartamento, sobre o que vamos ter para o almoço. Bem como as dores infernais atacavam até o meu cérebro me impedindo de raciocinar, foi bom que a pergunta já veio com uma resposta: macarrão com molho de tomate com carne moída. Só me restou após a chegada do aliviador de sofrimentos, descer três andares e ir à quitanda bem pertinho comprar tomates e macarrão. Uma bela refeição, não é mesmo?
Pelo menos é rápida, prática, e enche o bucho.
Mas a questão principal não é se os nutrientes do almoço vão ser necessários para a rotina do nosso dia, pois de fato eu dei uma boa emagrecida depois que cheguei em Recife, mas a questão é que os nutrientes vão ser os mesmos do jantar também, aí se aplica o ditado popular que o meu pai sempre me dizia: “Saco vazio não fica de pé, minha filha”. Que pena que eu nunca perguntei a ele uma coisa que sempre me intrigou. Se macarrão é sinônimo de vazio. Nesse sentido, apesar de deixar o estômago cheio, não sei se o macarrão pode encher o saco. Aliás, sei. Já encheu a minha paciência. Ou peco o cardápio, ou continuo me alimentando de luz!
Na busca pela quitanda, aqui na Brasilit favela, ou comunidade de favela, como preferirem, que fica aos arredores da UFPE, acho o tal lugar. A princípio, não sabia se pedia para atravessar toda a muralha de ferro que mais parecia uma prisão, ou se me comportava como no presídio e esperava a comida vir pela janela de ferro. Só que eu queria poder escolher os meus tomates pelo menos. Então, peço a senhora gentil para entrar e ela sem exitar muito vai trazer aquela chave enorme de porta de castelo de desenho animado. Mas não é para menos, o casal de velhinho, criou uma espécie de armadura na sua casa, onde o jardim em vez de ter flores e árvores, agora tem frutos, a quitanda. Um comércio que contribui para a atividade dos dois e deve cooperar e muito no orçamento familiar, considerando o valor da aposentadoria brasileira... Às vezes os jardins acabam dando alguns frutos e não mais flores. Isso quando existe pedaços de terra, ou espaço privado para todo mundo, mas isso é outra questão. É um infortúnio, infelizmente, e necessário à sobrevivência nos subúrbios metropolitanos. A estratégia que elaboraram para se proteger foi a incrível máscara de ferrro, quase uma masmorra, todo o muro é feito de ferros chapados e pontiagudos. Só tem um espaço para colocar a cabeça e fazer o pedido. Quase um drive- thru de Brasilit!
Bem, eu moro aqui a apenas sete meses, então não devo ter propriedade para julgar se o local é perigoso, ou não, principalmente para os moradores mais antigos, que já são da “área”. Contudo, não cheguei a perguntar a quanto tempo o casal mora lá.
Mas o que eu pude observar é que, ou a senhorinha não quer abrir a casa dela para todo mundo, e criou um esquema mais ou menos parecido do que tinha nas bodegas antigamente, onde a grade de ferro funciona como um balcão, ou realmente ela se preocupa com a sua segurança e do seu companheiro, o que significa que ela tem medo de que algo possa acontecer, por isso está com um arsenal de defesa preparado. O fato é que pelo menos eu acho que meu estereótipo não se encaixa com o de uma criminosa, pelo menos para ela não, porque, afinal, eu pude escolher meus tomates. Ou ela pensou que alguém tão desnutrida assim, na queda de braço com ela seria fichinha.
E acabei tendo uma conversa muito amigável com dona Josefa, ela quase não me deixou ir embora, e as cólicas voltando, e eu me despedindo: - até outro dia, mulher. Na verdade, eu vou virar cliente para tirar maiores conclusões. E porque, a quitanda tem verduras e frutas boas e baratas também. Olha eu aqui fazendo a propaganda. Porém quando eu estava indo embora, chegou uma senhora e perguntou se tinha maracujá. Dona Joseja fechando a cadeia, respondeu: - Quer quantos... E a mulher continuou o diálogo e eu continuei a andar e pensar. Será que eu vou pode escolher os meus tomates da próxima vez.?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O palhaço da luz e a rainha da noite: Uma psicodelia noturna em Olinda

A rua deveria ser dos pedestres e dos artistas. Que pena que os paralelepípedos e os carros às vezes não contribuem para isso. Contudo, em meio ao caos da modernidade e da “civilização” ainda existem figuras que conseguem expressar sua grandiosidade que continua latente diante de configurações que desprezam sua simples expressão.

Para começar o espaço público não é nada mais do que uma fantasia inocente de que o individuo tem autonomia, quando na verdade as mercadorias que os representam são quem dominam as relações. Na contemporaneidade, o automóvel pode ser considerado um dos maiores símbolos da individualidade dos sujeitos. E alguns ditados como você “e o que você tem” começam a prevalecer. Assim, a idéia da rua como espaço de sociabilidade dos indivíduos e de trocas simbólicas, começa a ser tolhida pela modernização, em que a primeira via é a dos calhambeques, no sentido lato da palavra. No espaço da rua, o pedestre não se difere do artista quanto ao uso que faz do espaço. Todos os dois estão sujeitados a uma lógica de “esperar o carro passar”.

Contudo, pode-se pensar que isso diz respeito a uma questão cultural brasileira, já que em outros países, existe uma política um tanto diferenciada, centrada no individuo como ser integrante dos espaços públicos, a exemplo da criação de espaços de convivência, e de um direcionamento do trânsito no sentido de privilegiar o sujeito andante. O que não chega a ser um novo ordenamento da realidade, pois os motores continuam sendo mais importantes do que os pés. Mas se configura como atitudes de pensar a cidade como um espaço excepcionalmente dos sujeitos, e não dos motores. Assim como nas artes o advento da tecnologia trouxe uma ressignificacao da arte de rua, ela nesse sentido acaba sendo encarada como uma alegoria de um passado distante ou idílico. De toda forma, não cabe a esse escrito se ater à realidade macro, mas especificamente a experiência vivida na cidade de Olinda.

Numa noite cheia de surpresas, duas figuras são os personagens que surpreendem o cenário de uma cidade que parecia não perceber a existência de figuras tão excêntricas e originais. Em meio a um panorama que congregava as várias facetas de uma cidade turística com diversos atrativos para os viajantes ou passantes, e também para os nativos, a BUDEGA é um elemento que carrega a simbologia do passado nordestino, de alimentar as cidades com as mais variadas especiarias, e que em algumas localidades ainda está bastante presente. No caso específico a sua caracterização, não passa apenas de uma tentativa de trazer um símbolo da identidade regional, a fim de caricaturar um nordeste que hoje é múltiplo, e transbordante. De culturas plurais.

Assim, ao mesmo tempo é possível observar turistas encantados com uma caricatura de antigamente, mas circulando à procura de referências de seus repertórios particulares. O menino guia indica rapidamente que os “4 cantos chegou”, mas assim como na música, não se pode dizer que “todo mundo chegou” Ainda falta um cidadão olindense / paraibanense. Falta o cidadão anos 60, com suas calças curtas e camisa de botão. Causa motivadora do deslocamento até a BUDEGA, para o simples encontro de almas serenas. O menino guia alerta para uma realidade não tão distante de outras capitais brasileiras, depois da informação pede a “intéra” para o lanche. A situação de pobreza da população faz com que a informação local, tenha um valor, assim como o conhecimento cientifico, só que nesse caso, pretende atingir fins práticos muito mais emergenciais. A sobrevivência.

Ao contemplar a mescla de uma cidade pacata com a imensa acumulação de visitantes que vivem à noite, a grande movimentação de carros nas ladeiras, difere do carnaval, onde com o “empedestramento” não adianta buzinar. Uma senhora consegue se destacar diante das pessoas. Não por não parecer residente, mas o processo que ocorre é inverso. Em vez de o turista ser o diferente, o nativo parece ser figura rara. Além disso, algo que ela carrega diz muito de quem ela é. Uma sacola.

Uma bolsa, para alguns. O que importa é que aquele dia para ela, apesar de ser sexta-feira para alguns, início do fim de semana e de descanso, para ela era mais um dia de feira, assim como demonstrava sua sacola. E isso, não tinha nenhum sinônimo com: seguir “a moda”. O seu artefato em nada corroborava para o fortalecimento da indústria da moda, mas apenas tinha a função utilitária de fazer a feira. Pelo menos aparentemente.

A rainha da noite, não esperava pelas cinco horas da matina para fazer sua feira. O início da noite era o horário que partia, talvez de manhã seja o horário que chega em casa da sua feira. Assim, como pode ser o horário que alguns chegam das festas. Nesse sentido, a relação de ir à feira deixa de ser uma relação da costumeira. Para ela a ação de ir à feira tem o mesmo aspecto de ir a uma festa. Isso pode ser observado pelo glamour que ela deixa ao passar.

Poderia ser mais uma pessoa que diante das dificuldades, muitas inclusive, que existem numa sociedade estratificada, tem que se submeter a pedir ajuda aos outros para sobreviver. Uma avó, quase certeza, com seus mais de sessenta anos, contudo não deixa de expressar a sua jovialidade e trivialidade em relação à mesquineza da vida. Uma verdadeira rainha que vai para um baile, se apresentar, pousar com o seu novo modelito, um tanto acabado, é bem verdade, mas que expressa que, para ela, a sua ação de pedir esmolas para sobreviver em nada a subjuga ou a faz sentir-se inferior. Pelo contrário, é um momento de fama. Em meio à impessoalidade das pessoas, dos transeuntes que passam por ali, sua imagem ficará marcada como uma divina celebridade que caminha pelas ladeiras à noite, à procura da sobrevivência durante o dia, e que na noite busca seu personagem interior do que desejaria ser, a dessublimação do real através das suas vestes, mostra como é possível não descer do salto entre a fantasia e a realidade.

Logo depois do brilho incomum da rainha da noite, aproxima-se o palhaço da luz. Com suas chamas, convoca os presentes que se transformam na platéia a contemplar sua arte. Mais uma vez, o automóvel se mostra como um empecilho para a realização da atividade, quando decide alem de não respeitar o pedestre, não respeitar a sua arte, o iluminado tendo que cuspir o querosene antes de ser atropelado. Todavia, isso deve ser uma rotina comum para diabolin, que assim como no desenho animado, não é pouca coisa que o destrói. Continua seu número. Agora decide que assim, como a vida é uma corda bamba, muitas vezes sem tela de proteção abaixo, a sua vida em nome da arte e do seu “ganha pão”, também pode ser assim. Resolve amarrar uma corda de um canto a outro da ruela, e o que alguns achavam que não seria possível de acontecer, ocorre. Além de andar na corda bamba sem nenhum vestígio de que aquilo era algum perigo, faz peripécias às quais demonstram sua habilidade de trabalhar sem quase algum objeto, e revelar o quanto pode potencializar o seu corpo diante de uma simples corda prestes a torar.

O artista guarda dentro dele algo como uma força interna que mesmo nas maiores adversidades, o impulsiona a continuar. Não é incomum pensar que a arte de rua pode ser desvalorizada, principalmente em tempos em que o que prevalece é a corrida incessante por uma cultura cada vez mais superficial. Contudo, ele recupera suas esperanças nos aplausos e admirações pelo seu trabalho que trazem de volta o sorriso, ao rosto amargurado e sofrido diante das curvas sinuosas que está sempre enfrentando, onde podemos pensar que a maior contentação que lhe resta para continuar seja a confiança que deposita em seu modo de viver, que difere do “fordismo” social em que vivem a maioria das pessoas, como peças de um mecanismo que atrofia seus corações e mentes, restando à imaginação pouco mais que uma lacuna a ser preenchida.
título: Dinho Oliveira
por Bárbara Duarte

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

cia da infânC.I.A

infânC.I.A...

quão bela e majestosa és
melhor cia não conheço
durmo, vivo, amanheço
se estou contigo... me esqueço!


oh querida infância
como sou saudoso a ti
deve ser por isso que teimo em não sair...
em plenos 24, quase 30

ouço isso ou aquilo
pra ser ou pra ter?
nego-me!

como diria nossa amiga clarice:
VIVO!

solamente!
sol na mente
sol vagabundo
sou vagabundo
em fim... sou criança